sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

1 min.



Uma coisa é fato.
Esses cinco minutos me fazem pensar.
Esses cinco minutos me fazem quase sempre querer parar.
Parar e esperar.
Eu espero por eles.
Todos os dias.
E, eu odeio saber que são eles que me fazem acordar.
Me fazem ter vontade de querer ser.
De querer viver.
São esses malditos cinco minutos, por mais rápidos, por mais injustos,
São eles que me fazem seguir adiante.
E, não há nada que eu possa fazer para tê-los.
Às vezes há linhas que nós não podemos ultrapassar.
E o que fazer com as linhas que podemos?
Mas o tempo não espera.
Ele simplesmente vai levando a nossa vida, de cinco em cinco minutos.
E são por eles que eu vivo.
Meus relógios, todos eles pararam de funcionar.
Não quero que eles funcionem.
Eu também sei que o desejo de não querer
Que eles funcionem nasceu da minha covardia.
Só os covardes tem medo que o tempo passe.
As velhas relíquias, as fotografias, as cartas, a saudade.
Tudo isso só existe para quem tem coragem.
Aqueles que não vão se arrepender com uma ou outra falta.
Com uma ou outra partida.
Mas os covardes querem sempre que o tempo volte.
Com medo de não sobrar tempo para corrigir o passado.
Com desejo de preecher os espaços, as lacunas pelas quais
Não há mais o que se fazer.
E assim, mesmo sabendo o fim que velhas histórias podem
Chegar a ter.
Mesmo tendo certeza de que destinos de pessoas diferentes
Não são distantes.
Eu sei que esses cinco minutos me confundem a ponto de não saber o que eu procuro.
E há tempos, eu não percebo quando eu encontro.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Ausência



Uma vez ouvi dizer que se seguíssemos nossa intuição, nós jamais falharíamos.
Mas às vezes este pode ser um grande problema.
Quando saberemos realmente distinguir entre o que queremos e do que precisamos?
Eu deixo de viver o que eu quero, porque eu não sei do que preciso.
E assim as coisas se confundem e vice-versa.
E o que eu preciso nunca é o que eu quero de verdade.
Descobri hoje que as piores batalhas que travamos somos contra nós mesmos.
Porque não existe vencedor.
Não existem heróis.
A falha e a glória são suas, só suas.
E cabe a você encarar os fatos.
A verdade nua e crua, que você lutou contra ou a favor.
Mas não se esqueça nunca que não existem heróis.
Por mais difícil que seja a batalha, no fim você sabe que não vai comemorar.
Acho que a vida é feita de ciclos, fases que iniciam-se em outros finais e esses finais são celebrados por novos começos.
Mas o final nunca é realmente o fim, muito menos o ponto de partida.
Esses momentos me fazem relembrar as pessoas que eu deixei ir.
Aquelas que não estão mais comigo, por medo ou talvez pela minha ausência.
Pessoas que por mil motivos não eram as certas para o meu momento.
Eu admito que as disperdicei, por falta de coragem.
Por não acreditar.
Mas hoje eu vejo que muitas delas poderiam preencher o vazio do meu momento agora.
E é difícil aceitar que eu as deixei ir.



Mas hoje...hoje eu descobri que não existem heróis.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Au revoir

Mais uma vez tudo retorna.
Tudo volta a ser exatamente como era,
Ou como poderia ser.
Não sei bem como a vida foi tecendo a história,
Mas ela tecia pouco a pouco também a alegria.
Não, ela nunca encontrou abrigo no café do meio-dia,
Nem no almoço da meia-noite.
Tudo era lache de fim de tarde.
Ela lutava para alcançar o trem a tempo.
Deixava a chuva cair sobre seu rosto e ia.
Mas eu sabia que no fim de tarde ela retornaria.
Porque ela sempre volta.
E eu não sei para quem.