domingo, 25 de janeiro de 2009

Assim sem mais





De vez em quando se perde a cabeça.

O problema é que eu tenho praticamente evitado esse 'De vez em quando'.
Porque na vida é muito mais prático evitar certas coisas do que encará-las de frente.
Às vezes a idéia de encarar alguns fatos de frente me dão a sensação de sentir o todo.
Sentir o todo pode ser complicado para quem deseja ignorar um sentimento ou outro que aparece no caminho.
Mas o que a gente nunca consegue ignorar somos nós mesmos.
Eu posso até fingir que aceito bem ou quase mal uma ou outra aflição.

É, têm sido impossível perder a cabeça.

Acontece que hoje me deu uma louca vontade de não ser.
De não precisar me explicar por uma ou outra confusão.
De ter o direito de ficar calada e apenas sentir o que for vindo.
Poder me dar ao menos um confissão. Mais ninguém, só eu.
De poder voltar atrás quantas vezes forem precisas.
Hoje eu não quero me explicar.
Hoje eu não quero ser.
Eu só quero perder a cabeça.
De vez em quando, pelo menos uma vez.
Para poder dizer para mim mesma se realmente vale a pena.
Aí sim, depois disso serei capaz de carregar minhas aflições sem ser aflita.
É sempre mais fácil ser depois de não o ser.
Ou vice-versa.

Mas acontece que vez em quando eu sempre me esqueço de perder a cabeça.





Imagem: Jacques Henri Lartigue

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Cansei


Confesso que hoje eu cansei.
Denomino agora meu mais novo movimento particular: "Cansei do Mesmo".
Porque às vezes é tudo o mesmo e eu tenho praticamente me tornado uma 'expert' em andar em círculos.
O problema é que eu esbarro sempre com a testa.
Cansei do meu medo infantil, que me faz caminhar sempre pelas mesmas calçadas.
Eu já conheço esse caminho, que meus pés acostumaram-se a seguir.
É infinitamente mais acolhedor retornar para casa depois de caminhar por diferentes estradas, do que viver à deriva.
Tenho medo da deriva, do relento e do só.
Existem diferentes tipos de solidão.
Há os que estão sempre sós, consumidos por si mesmos.
E também os que procuram a solidão, pois talvez seja nela que se encontrem.
De fato, acostumei-me com minha própria companhia.
Há sempre um vácuo entre o 'mim' e o 'eu'.
Nunca consigo me alcançar e essa lacuna é tudo.
Hoje sussurrei uma prece.
Afinal, quem roubou minha coragem?
Um dia eu sei que vou descobrir uma verdade mais absoluta. Mas temo...
Silencio nessa prece a minha pressa.
Meu sussurro agora é grito e me consome.
A vida talvez seja uma sucessão de esquisitices inevitáveis.
Se revela com brutalidade. Aos poucos.
O que fazer quando não somos os encarregados pelo nosso destino?
É permitido esperar e deixar que a vida faça sua parte?
Vez em quando eu tomo para mim a prerrogativa de comandar meu próprio destino.
Mas um dia eu sei que serei obrigada a me calar.
Nascemos da maravilhosa arte do improviso.
Somos volúveis, inconstantes. Somente pó jogado ao vento.
Alçamos vôo, sem certeza e nem previsão de volta.
Mas, quando me olho no espelho, vejo que ainda há essa lacuna.
E ela é tudo.
Um dia fechei meus olhos e tentei fingir não ver o tempo.
Engraçado, mas acho que o tempo também fingiu que não me viu.
Sei que uma vida de acertos pode ser perigosa, pois grandes acertos podem nos levar para longe de nós mesmos.
E talvez só conseguimos nos reconhecer em nossos próprios erros.

Esqueci de avisar às pessoas que para viver é preciso somente uma coisa: coragem.


Imagem: http://galerias.escritacomluz.com/oldart/albums/album01/aab.sized.jpg

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Vem de longe



Já era noite quando a vida resolveu habitar aquela casa da colina.
Não sei se posso chamar de vida aquilo que estava ali, mas se existe um coração e ele bate, então é vida? Ou a vida é mais que isso afinal?
Só sei que ali batia um coração vívido, forte e sagaz. E ele era faminto, mas não sabia ao certo de quê.
O Solitário pasmava diante de tal milagre que estava em frente a seus olhos. Era a vida criando espaço e dando forma.
E ela nasceu dançando, dominada por pliês e mãos delicadas no ar. Girava estonteante, como quem mal se importa com outro tipo de problema.
Tinha um brilho no olhar e um coração carregado de doçura.
Sonhava mais que criança, e pra sonho não se encontra cura.
Se concentrava em nascer, em nascer para a vida.
E isso fazia muito bem , obrigada.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

WHAT?

Não é que hoje é um belo dia...
O dia para desaguar amores.
Sofrer um pouco mais, por estar tão longe de você mesmo .
Fingir felicidade.