
Sim, eu era só uma menina.
Escondi os defeitos e remendei as qualidades.
Não importava como, eu queria ser.
Eu precisava alimentar muito mais que minha sede, é verdade.
Na falta de abrigo, eu mesma fui capaz de tentar construir algo bom.
Juntei toda a falta de coragem e vez em quando me metia a aprender truques para sobreviver.
Mal e mal sobrava um beijo no café da manhã, me relembrando que existia ainda o afeto.
Desde cedo vi como as pessoas preservam um tipo de sentimento que é um quase.
Um quase nada.
É como se o outro, por medo ou descrença, nutrisse um semi amor, uma semi amizade.
Naquele momento eu soube como era ver o mundo por um buraco de fechadura.
A gente acaba achando que por ver bem de perto, consegue ver tudo.
Na verdade, a proximidade das coisas mostra só parte delas.
Não sei bem quando, eu descobri que a vida é para seres que entraram em extinção.
Tem alguns que não merecem, mas não por ignorância.
São aqueles que simplesmente não se importam com uma ou outra falta.
E, sim eu era só uma menina.
Mas, a duras penas, tive que aprender a andar por minhas próprias pernas.


